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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Insónias PF

São 4 da manhã, e estou com insónias.
Está muito calor, levantei-me abri as janela…
 Peguei na minha guitarra, da minha janela conseguia ver-te… mas tu parecias nem olhar para mim.
Comecei a tocar, no entanto, as cordas estavam mais duras que o normal, e os meus dedos já sangravam tal como os meus olhos com falta de sono.
O som parecia não sair, e algo faltava.
Faltava-me a tua voz, a acompanhar as notas suaves. As nossas melodias eram únicas, dignas de um Coliseu e de toda a gente ouvir …
Ao invés disso, só nós ouvíamos, porque sempre o fizemos pela calada da noite, só ‘eu e tu, tu e eu’, mesmo que ao abrir os olhos, fossem inúmeras as estrelas e barulhos que elas faziam, provavelmente ‘apaixonadas’ ou com insónias como eu estou agora.
É tudo um ciclo, primeiro ‘dormes’ , depois ‘acordas’ … existem noites óptimas de sono, e noites terríveis, de insónias horrendas que nos fazem, pensar em tudo o que queremos e não queremos.
Então parei, pousei a Guitarra, abri a porta de vidro, sentei-me nas escadas … e fiquei ali, simplesmente a olhar para ti, tal e qual fazia todos os dias, mas desta vez, a tentar perceber como realmente funcionas …
Oh, como posso eu querer mandar no universo? Perceber como funcionas é como entender  a lei da vida, e isso sempre me fez confusão!
É demasiado complicado ver-te ali em cima, e saber que ninguém toca para ti como eu, mas no entanto, quando cantas, toda a gente ouve e fazes de igual forma para toda a gente.
Mesmo quando as pessoas toca, músicas insensíveis, e te magoam com as melodias, tu fazes tudo para cantar, mas porquê ?
Porque é que não cantas simplesmente para quem sabe realmente tocar, e dá sentido às tuas palavras?
Um dia, irás tornar-te banal, porque o fazes sempre, e não simplesmente quando o sentes.
E aí, aí vais sentir saudades da melodia especial, do bater dos meus dedos nas cordas da guitarra, dos meus olhos a olhar para ti enquanto fazias magia.
Mas eu estou cansada…
Cansada destas noites solitárias…
Cansada de pensar em ti, e não pensares em mim…
Cansada de não sentires falta de me veres sentada nas escadas com a guitarra na mão…
Mas eu sei que, só o meu mundo se vai reduzir, sem ter a lua só para mim, no teu, vai ser simplesmente menos uma guitarra.
O sono voltou, levantei-me, fechei a porta, guardei a guitarra, e adormeci.

‘E nunca mais se ouviu nada assim’    
17.05.2011

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