Eu tenho de ir, não quero, acredita que ainda nem sei como vou dar o passo em frente, mas tenho de ir. O meu pé direito prende-me, sabes? Aquele 'teu' pé.
Vim-me despedir de ti. Sinto-me um bocado ridícula, porque só hoje percebi, que vou desistir de algo que foste a primeira a desistir. Contudo, hoje vim sem armadura, vim completamente nua, para me veres exactamente como quero que vejas.
Desculpa, mas eu não consigo ficar mais aqui. À espera de algo, que já nem tu acreditas. Eu sei, eu sei que acreditaste, as tuas palavras disseram-no, os teus olhos falaram-no, as tuas mãos mostraram-no. Mas eu não posso manter-me mais no passado, parar a minha vida, quando tu continuas todos os dias a caminhar em sentido oposto e cada vez mais longe. As tuas palavras já nem me falam, os teus olhos já nem me olham, as tuas mãos já nem sabem o caminho até mim.
Todos os dias acordo com as tuas promessas na cabeça, dão me força para mais um recomeço, mas adormeço sempre com o vazio de mais um dia sem uma palavra.
De todos estes dias sem ti, sabes qual foi o que mais me custou adormecer? Aquele que além da ausência de palavras, de carinho, teve a ausência do teu olhar, do teu conhecimento. Tu amavas-me, ok, eu acredito. Mas naquele dia, tu conseguiste não me ver no mesmo espaço que tu, conseguiste esquecer cada beijo, cada toque, cada noite passada em conversas de tudo e de nada, e fazer de conta que nunca me chegaste um dia a conhecer.
Posso esquecer cada palavra tua um dia, posso até esquecer cada acção, mas tudo que me fizeste sentir eu não vou esquecer, e esquecer que um dia tiveste perto de mim e tão longe como um desconhecido, será completamente impossível.
Sei que prometeste vir, mas acho que já lhe prometeste ficar. E ficaste.
E eu tenho de ir... porque já nem tu me queres aqui. Não sei bem onde vou, mas sei que tenho de ir. Por mim, e por ti.
Não te prometo não pensar mais em ti, não te prometo não te procurar. Mas prometo que vou, sem destino, sem fim, apenas vou.
A minha mala é demasiado pequena para levar tudo que estes meses me deram de ti, por isso, decidi levar as coisas boas que me ensinaste, as coisas inesquecíveis que me fizeste sentir, e as nossas memórias, prometo deixar tudo o resto aqui.
Quero de ti, levar o melhor. Acabei por me aperceber que não te tinha que odiar, aliás eu não tenho de odiar ninguém que não consegui manter comigo, que seguiu outro rumo, se te amo tenho é de aceitar a vida que escolheste, e que não me inclui.
Obrigada pelo melhor sentimento da minha vida, obrigada por uma grande história, infelizmente incompleta, obrigada.
Sei que já foste, e provavelmente nem levaste mala nenhuma, mas não faz mal, eu levo coisas que chegue pelas duas.
Espero que estejas bem, porque chegou a hora de eu ficar. E não sei se reparaste, hoje decidi falar realmente de mim para ti. from me to her.
Vá, chegou a hora de me despedir a sério. Espero que sintas este abraço. Desculpa te ter molhado os braços, juro que não queria que me visses a ir e a chorar.
Foi um prazer. Quero que a última coisa que saibas de mim, é que apesar de ir, eu amo-te.
(Carolina Deslandes ft Agir - Mountains)
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