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domingo, 11 de maio de 2014

A carta que nunca te irei escrever

Ouvir a tua voz fez-me recuar no tempo.
Ouvir a tua voz fez-me viver tudo novamente.
Ouvir a tua voz fez-me duvidar.
Ouvir a tua voz libertou-me.
Ouvir a tua voz fez-me seguir em frente.
Tanta coisa que só a tua voz me fez sentir.
Todos nós temos aquele amor platónico, aquele amor que ninguém imagina, e que só de pensar é capaz de nos preencher por completo, dando uma sensação de vazio enorme.
É, desde início que me provocas estas confusões sentimentais. Nunca entendi muito bem o que significa acordar a pensar em ti, adormecer a pensar em ti. E no dia seguinte, acordar a pensar que tenho de esquecer, e deitar-me a pensar que tenho de viver.
Poderias ter sido tão mais, e de tudo que poderias ter sido, escolheste ser nada!
Escolheste ter-me apenas a consumir-te o pensamento, a fazer-te pecar por me veres nos sítios errados à hora errada, ou será nos sítios certos com a pessoa errada?!
Não é a minha voz que ouves logo de manhã, provavelmente nem acordas comigo na cabeça, também não adormeces comigo na cabeça.
Mas sei que quando isso acontece, te consome, te consome de uma maneira que davas tudo para vir, e eu dava tudo para te receber, mas a porta fechou!
Porque os amores platónicos existem mesmo para isso, para serem fantasiados, para viverem na imaginação, para idealizar da forma que melhor nos fizer.
Apesar de tudo ter sido tão real, de ter sentido os teus lábios, o teu toque, prefiro este sentimento platónico. Porque nele posso apenas manter-me nas tuas qualidades, ocultando todos os teus defeitos e falta de coragem!
Aqui, nesta caixinha platónica, sou só eu e tu, e de todas as formas que nos imagino, e como tal, será eterno!
Fora da caixinha, eu deixo ele morrer, eu deixo tu comandares, deixo ele apagar! Deixo isto de todas as formas que tu quiseres, sendo quase uma escrava de ti. Porque será como tu quiseres, tu mandas!
Mas fora da caixinha, há um mundo. O meu mundo, na qual não fazes parte.
Por isso, se um dia tiveres uma caixinha assim, guarda-me lá dentro. Porque lá serei tua. Controlar-me-às como bem entenderes.
Fazemos assim, imagina os meus defeitos. Imagina o meu acordar.
Imagina as minhas palavras mais arrogantes, as minhas palavras mais queridas.
Imagina aqueles momentos que não te consigo falar, ou aqueles momentos que não te consigo largar!
Imagina a minha cabeça no teu ombro, a minha boca no teu ouvido.
Imagina um amo-te meu.
Imagina um odeio-te.
Sim, faz isso...Apenas imagina.
Imagina ... até teres coragem de enfrentar o mundo real!
Se fosses capaz, era aí, aí que deitávamos a caixa fora, as duas caixinhas, já não iríamos precisar delas.
E ficávamos apenas agarrados, porque sei que depois de me agarrares, não me voltas a largar!
Mas deixa para lá, isto é apenas o meu sentimento platónico a falar...
Na realidade, isto é apenas mais uma carta que nunca te irei escrever!

7/05/14

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