O que eu queria mesmo …
Era acordar com a tua voz ao meu ouvido com um simples sussurrar.
Virar a cara e estares ao meu lado, unicamente a olhar-me, não importando a minha cara sonolenta, a minha má disposição, ou o meu cabelo despenteado.
Ali, apenas importava o facto de estarmos juntos.
Levantar-me, abrir a janela enorme, que ocupava metade da parede branca, com cortinas de cor idêntica e compridas. Ter apenas o mar á minha frente, respirar e sentir o cheiro salgado, e o vento a bater-me na cara. Fechar os olhos, e ouvir o barulho das ondas e quase que conseguia ouvir com perfeição os falar dos golfinhos.
Sentir as tuas mãos á volta da minha cintura a abraçar-me, sendo eu a única coisa indispensável para ti. Sentir os teus lábios no meu pescoço e de seguida um arrepio.
Vestir o meu vestido branco e tu os teus calções brancos que tão bem se ajustavam ao teu tom moreno, e sair a correr para a praia.
Correr sem sentir o cansaço, a praia era nossa.
Sentir a água fria nos meus joelhos e cairmos abraçados na areia molhada.
Ficar ali, imóvel e pacífica, com a cabeça e a mão no teu peito, a sentir o bater do teu coração e o teu respirar.
Olhar-te nos olhos, e gritar que te amo. Sentir o teu coração acelerado como se fosse a primeira vez que o ouvisses. Não precisavas de o repetir, o teu coração falava por ti.
Ficarmos assim durante horas, até que o quente do sol fugisse e o mar azul se tornava laranja.
O mar começar a descer e a praia ficar maior, as gaivotas a fazerem-nos companhia e os golfinhos que de manhã ouvimos, a cantar e entoar, apenas para nós.
Era o nosso momento.
Eu dizia coisas sem sentido algum, coisas que não importavam a ninguém, apenas a ti. E tu, que nunca te cansavas de ouvir a minha voz e de ver a minha cara parva, nas piadas onde somente eu me ria. Mas tu não me largavas por isso, sempre com a mesma força, olhavas para a forma simples de como sorria.
Ficar com frio e tu pegares na tua toalha e enrolare-la em nós.
Ficar á espera de ver o sol desaparecer e aparecer as estrelas e o brilho da lua.
Sem uma palavra, simplesmente amarrados a ouvir as ondas.
A lua chega, deitarmo-nos e tu dizeres “é a melhor noite da minha vida”, mesmo que já o tenhamos feito antes.
Abraçares-me e beijares-me.
Sermos apenas nós a noite toda, trocamos sentimentos e momentos que não iremos trocar com ninguém. Sentir o teu respirar acelerado e marcar as tuas costas com as minhas unhas.
Adormecer no teu peito. Dormir calmamente sem qualquer tipo de pesadelo. Sentir-me melhor que nunca.
Acordar com o teu sussurrar e repetir tudo novamente, até ao fim das nossas vidas.
14.03.2010
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